"O palco é o mundo do artista. Bem-vindo ao meu mundo". Com essas palavras Jorge Vercillo abriu sua turnê nacional "Todos Nós Somos Um" com canções do sétimo CD de sua carreira. No show, que aconteceu no Canecão, Vercillo se mostrou muito seguro no palco se aventurando até como intérprete, cantando Tom Jobim e Cazuza. No disco é possível perceber a mistura de vários estilos musicais. O próprio artista define seu trabalho:
"Todos Nós Somos Um é um CD que reúne composições novas em ritmo de bossa nova, de samba, xote, baião, ijexá, baladas, canções jazzísticas, muitos arranjos de cordas, muita percussão. Tem uma sonoridade que tem muito haver com a influência da MPB dos anos 80, com grandes arranjos de corda e de sopro, que remete a essa textura sonora", disse.
Para dar esse novo formato à sua carreira, Vercillo trocou a banda que o acompanhava há mais de 10 anos, e recrutou novos músicos como Jessé Sadoc (trompete), André Neiva (baixo), Glauco Fernandes (violino) e Paulo Calazans (teclados). Entre as surpresas do show, estão à nova versão progressiva da música "Fênix" com direito a solos dos músicos, além de futebol e capoeira no palco.
Apesar dos novos formatos musicais impressos no seu trabalho, Vercillo não poderia deixar de lado suas influências musicais. Djavan, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e Gal Costa são citados na canção autobiográfica 'Tudo que eu tenho', com a qual o cantor abre o show.
Logo depois, surpreende a todos interpretando 'O Tempo não Para' de Cazuza e 'Luiza', de Tom Jobim com um arranjo mais focado no Reggae, o que o cantor revelou ser um sonho realizado, pois desde 1997 tinha vontade de interpretá-la. O show segue com composições em parceria com grandes nomes como Fátima Guedes, o violinista Guinga e Marcos Valle, além de arranjadores como Jota Moraes. Inclusive a música "Ela Une Todas as Coisas", com arranjo do Jota, está na trilha sonora da novela Duas Caras da Rede Globo.
No repertório do show, também há espaço para um standard de Jazz: 'Tenderly' de Walter Lloyd Gross e Jack Lawrence. Em 'Xote do Polytheama' Vercillo faz uma homenagem às peladas que freqüenta há mais de dois anos no campo de Chico Buarque, e literalmente bate um bolão no palco ao lado do violinista Guinga.
As novidades não param por aí: num momento do show, ele convoca os músicos para uma legítima roda de capoeira, onde cada músico puxa sua canção preferida ao som de um berimbau. Em outro momento mostra, num medley flamenco, as músicas 'Ciclo' e 'Eu Que Não Sei Quase Nada do Mar' ? a última, em parceria com Ana Carolina, e lançada por Maria Bethânia no CD 'Pirata'. "Fizemos essa música em Angra dos Reis. Compor junto é difícil, gosto de levar o trabalho para a casa, mas fizemos melodia e letra lá. Acordei com ela cantando a música", lembra Vercillo.
Mesmo com todas as novidades, o público curtiu bastante a música de trabalho "Devaneio", assim como os grandes sucessos de Vercillo, como "Homem Aranha", "Final Feliz" e "Que nem maré".
Perguntado se esse é o grande momento de sua carreira, Vercillo foi categórico: "Deixo essa opinião para a crítica e o público darem. Tenho certeza que esse é o meu disco mais brasileiro", finalizou o cantor.
Por Felipe Lins
Colaborou Pamela Araujo
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