Entrevista: João Guilherme Ripper
Diretor - Sala Cecília Meireles
Música Plugada Brasileira - Sua gestão se baseia na grande valorização, do cenário cultural da música, e a renovação de repertório da Sala Cecília Meireles. Devido a essa renovação a Sala Cecília Meireles tem atraído diversidade de público?
João Guilherme Ripper - Sim, de 2005 para cá houve um aumento em 30% na freqüência de nossos concertos e uma maior diversidade de público. Isso se deve, entre outras iniciativas, à regularidade da programação, à organização da temporada oficial da Sala Cecília Meireles em ciclos temáticos e à inclusão de um repertório mais abrangente, como a música popular brasileira instrumental e o jazz. Uma comparação que gosto de fazer: a Sala funciona, hoje, como um "museu", apresentando as grandes obras dos períodos barroco, clássico e romântico; e como "galeria de arte", trazendo a produção moderna e contemporânea, com ênfase na música brasileira.
MPB - Uma das principais características de sua gestão é o intercâmbio com instituições estrangeiras. Quais os benefícios que esse intercâmbio tem trazido a música e ao público freqüentador da Sala Cecília Meireles?
João Guilherme Ripper - Temos parcerias com consulados, centros culturais e instituições de países estrangeiros que têm interesse em apresentar sua música em nosso palco. Estas parcerias tornam possível a presença de um número significativo de excelentes artistas e conjuntos estrangeiros em nossa programação, que é financiada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro e através de leis de incentivo à cultura.
MPB - Ao longo desses 40 anos de grandes apresentações em seu palco, hoje a Sala Cecília Meireles e o BNDES em parceria, realizam um projeto voltado para o público jovem "Concertos Didáticos para Jovens". Fale um pouco sobre este projeto.
João Guilherme Ripper - A Sala Cecília Meireles tem uma grande responsabilidade social e educativa, que é garantir o acesso de todos à música de concerto e à música de boa qualidade. O projeto "Sala de Música BNDES" é destinado aos alunos das escolas públicas e privadas. As etapas de preparação de cada concerto incluem a distribuição prévia de material didático, palestras para os professores, transporte de alunos e lanche. Os programas são desenhados especialmente para propiciar aos ouvintes o prazer da descoberta. Esta experiência abre portas para que, no futuro, os alunos passem a consumir música de qualidade e possam usufruir das diversas programações musicais oferecidas na cidade, o que considero uma questão de cidadania.
MPB - Esta parceria podemos considerar um grande incentivo para "Música de Concerto"?
João Guilherme Ripper - é um trabalho de formação de novas platéias. Além disso, as orquestras e conjuntos que se apresentam são formados em sua maioria por jovens, que têm a oportunidade de tocar num palco importante, como é o da Sala Cecília Meireles: uma necessária experiência na formação de novos profissionais. Assim, além das novas platéias, cuidamos também da formação de novos músicos.
MPB - O "Grupo Chorando Baixinho"parte da série "Sala de Músicas BNDES" é formado por alunos da escola Villa-Lobos, que estarão se apresentando no dia 9 de outubro às 16:30, com um repertório de MPB, na Sala Cecília Meireles. Fale um pouco desta apresentação.
João Guilherme Ripper - Como mencionei acima, o fato de jovens tocarem para jovens representa um estímulo a mais para ambos os lados. Além disso, a presença de um grupo de choro na programação da "Sala de Música" mostra que estamos trabalhando com um repertório eclético, que tem com condição básica ser música de qualidade.
Por Patrícia Lima